
"Oh pátria amada, idolatrada, Salve! Salve!...".
Celebremos a Independência do Brasil - sem nos questionarmos muito, por favor.
Imbuída de um patriotismo inerente a lembrança que essa data me traz, senti-me na obrigação de atualizar os meus relatos. Além do clamor desse dia, existem os pedidos de Mauricio, tão explícito no comentário ao solicitar fotos do AP! Assim que eu puder, irei criar um álbum no Picasa para colocar na pagina do blog. Dessa forma, aqueles que não têm Orkut também poderão ver as minhas fotos! Aguarde mais um pouco, Mau!
Para não deixar um capítulo em aberto, relato que a ultima semana em Boston foi uma semana de despedida e, como todo o período que antecede o "bye, bye", foi uma semana meio estranha. Todos estavam ansiosos pela chegada da nova fase, mas saudosos pelas lembranças construídas em um mês de convivência. Trocas de e-mails, telefones (para quem já tinha um... eu ainda não comprei o meu - estou na orbita da modernidade!...) e promessas de "vamos manter contato", "vamos nos encontrar de novo", "espero vocês, de braços abertos, aqui e em meu pais"... O ultimo dia de aula foi marcado pelo cuidado das professoras em levar brownie (o típico bolo de chocolate americano) para celebrarmos o recebimento dos nossos certificados. A aula se estendeu até aqueles minutos em que não sabemos mais o que dizer apos tantas fotos, trocas de elogios e promessas de "amigos para sempre". Uma das professoras - a mais animada - disse que era apenas para dizermos "até logo" e fingirmos que iríamos nos ver na semana seguinte... Intenso, belo e um pouco doloroso - como costumam ser os momentos de "belas" despedidas.
Dividi um taxi até o aeroporto com meu colega de El Salvador. Dissemos "até logo" assim que chegamos, pois o vôo dele era bem antes do meu. Manhã de dezesseis de agosto, avião pequeno e sem lanchinho (rs); destino: Aeroporto Internacional de Raleigh-Durham - Carolina do Norte. Dessa vez não teve mala viajando, mas teve, como em Boston, amigo esperando no aeroporto. Pablo – que conheci através da pesquisa do acido fólico – estava lá, com a mão direita enfaixada, um sorriso no rosto e de braços abertos para me receber: “Bem-vinda a Carolina do Norte!!!”.
Conheci, então, o meu apartamento e a minha nova amiga, com que irei dividir o AP e a vida nos próximos quatro anos. Michelle é mineira (uai!), também bolsista da Fulbright e está fazendo doutorado em estatística (vixe!). Sorte a minha... Saímos com Pablo para almoçar e começar a comprar mobília para nossa casa. Chegou a noite – depois das 19h - e fomos passear na área de Chapel Hill e Carrboro. E no dia seguinte, mais compras para a casa... Ela também não tem pratica como dona de casa, mas tenham certeza que estamos nos virando bem!
Para esclarecer: estou morando em Carrboro, cidade vizinha a Chapel Hill, onde fica a Universidade. Juntas, Raleigh, Durham e Chapel Hill compõe a área do “Triangulo” da Carolina do Norte. Essas cidades, incluindo a que moro e outras mais, são pequenas e tão interligadas que constituem uma conurbação (não vou traduzir essa palavra, não! Para meus jovens irmãos e primos: procurem no dicionário ou no Google mesmo! Vou perguntar quando nos falarmos, hein?!)
Detalhes da minha nova moradia: o carpete me deu alergia, o ar condicionado é central e a piscina até hoje não usamos - a despeito do sol que tem feito. Houve uma “festa na piscina”, organizada pela gerente do Village, com cachorro-quente (salsicha preparada na grelha), bata-frita e refrigerante. O intuito era integrar os moradores. Tem outro brasileiro, bolsista Fulbright, que mora com a família aqui – e que também tem nos ajudado muito. Festinha tranqüila, com conversa em português e crianças tentando mostrar seus dotes de mergulho, molhando tudo e todos ao redor...
As aulas já começaram, em 18 de agosto de 2008 (preciso guardar essa data!). Agora “é a vera!”. A qualificação de “estudante em tempo integral” nunca me pareceu tão absoluta. O desafio é duplo: idioma e conteúdo. Estou me adaptando a tudo: mapa do Campus, professores, transações comerciais, cultura, tempestades tropicais...
Talvez agora os relatos sejam menos emocionantes... Talvez se tornem mais reflexivos e menos descritivos, pois o que vou contar?
“Esses dias tenho estudado muito...” ou
“Tenho bastante livros para ler...” ou ainda
“Passei o final de semana estudando estatística...”.
Sorrio e penso que entre uma pagina e outra, diferentes experiências aparecerão. Dentre elas, a nossa quase-obrigação de se apaixonar pela Universidade. Teremos chance de assistir a algum jogo de Futebol americano, basquete, baseball.. e vivenciar a experiência de estádio lotado e torcida apaixonada pelo time da Universidade O símbolo da University of North Carolina (UNC) está em todas as partes dessas cidades: lojas, supermercados, ruas... Foi por isso que me lembrei da musica de Seu Jorge e a coloquei no titulo, pois é o que está acontecendo:
" Ô Carolina eu preciso de você
Ô Carolina não vou suportar não te ver
Carolina eu preciso te falar
Ô Carolina eu vou amar você...”!

3 comentários:
Nanda adoro seu toque especial de contar sua jornada, sempre com seu bom humor, leveza e uma pontinha de irreverência. Fico feliz em ler seu diário, porque estou torcendo e te apoiando à final de conta, você e minha heroína. Beijos e abraços
Eric
Ferdi! finalmente entendi a "logistica" "blogiana" e consegui te escrever! Cada reunião com Rita lembro-me de vc, e das nossa jornada em prol da pesquisa, adorei seu "diário de bordo" acho qeu tem tudo para ser um best-seller! Ah! adorei ver o novo simbolo da universidade, de "gators" a UCN !!!!
bjo grande e muitas saudades.
Como venho dizendo é sempre um prazer e uma aventura ler seus relatos. Amiga! Vc é muito, mas muito especial mesmo. Sua leveza e sutileza ao escrever são fabulosas. E a irreverência como bem escreveu Eric, só vc mesmo. Sentimos muito sua falta. Desejo de coração que obtenha toda sorte, sucesso e felicidade em tudo que vc fizer. Estou torcendo muito por vc. Te amo.
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