Cerimonia de abertura dos Jogos Olimpicos de Beijing, na China.
Festa Vietnamita com os alunos da turma de "English for Medical and Health Professionals" do CELOP - BU ( um Centro para ensino de Ingles da Boston University), em Boston (claro!), Estados Unidos.
Esses dois eventos ocorreram ao mesmo tempo. Assistimos a abertura pela internet enquanto faziamos os nossos rolinhos primavera usando papel de arroz. Hashi para comer rolinho primavera? Nunca havia tentado antes, mas consegui - com algum sacrificio e respingos de molho na blusa... (para quem nao sabe, Hashi eh o nome que se da para aqueles palitinhos que os orientais usam para pegar os alimentos, no lugar do garfo). Musicas do Vietnam e Haiti. Comida boa, colegas agradaveis e mais cultura na minha bagagem. Folhei dois livros de fotografias do Vietnam. Um, em especial, me pareceu muito interessante: eram fotos de pessoas levando tudo o que se possa imaginar em uma pequena motocicleta. Isso porque lah, quase todo mundo utiliza motocicleta. Carrega-se de tudo: animais - vivos ou mortos, incluindo uma carcaca de boi -, caixas de mantimentos, bamboles, 5 pessoas (era para ter, no maximo, duas!), bolas, detergentes... Bem, vi mais de cem fotos - nao vou descrever todas.
Dia seguinte - ou 09/08/08: ida para New York, quatro horas em onibus chines, pagando 30 dolares (ida e volta!). Os aventureiros: Shiho (Japao), Saleh (Brunei), Adidja (Camaroes) e Fernanda (Brasil!). Hospedagem no Hostel mais barato que achamos, em "Chelsea" - um bairro com uma das maior populacoes de homossexuais nos EUA. Tudo bem para a maioria de nos em ver bandeiras arco-iris, casais de maos dadas e "festa estranha com gente esquisita" (porque em NY sempre tem gente "esquisita", independentemente de credo, raca ou orientacao sexual...). Mas, para Adidja foi um choque cultural. Tivemos que explicar a ela sobre a bandeira, o direito das pessoas fazerem suas escolhas, etc, etc.
Shiho foi para o cabelereiro (ela recebeu uma indicacao de outra japonesa e foi lah conferir). Enquanto isso, nos tres fomos para o Empire State Building - aquele edificio que eh o mais alto de New York. Fila de uma hora e meia, 19 dolares de entrada, Adidja resmungando porque "era um absurdo pagar tanto soh para ir no topo de um predio...", inspecao a la inspecao de aeroporto em voo internacional, 12 lances de escada para nao esperar pelo segundo elevador que nos levaria ao andar 86 dos 102 existentes e... chegamos! No meu melhor "estilo turista" comprei um mapa para saber o que estava vendo - ou o que eu deveria estar vendo no meio da multidao disputando cada centimetro das grades de protecao. Fotos e mais fotos, imaginacao voando e aquela sensacao de dever cumprido: como um bom turista, eu fui no alto do "Empire state building"! Quem lembra de King Kong? Foi nesse edificio que o macacao subiu em um filme de mil novecentos e alguma coisa por volta dos anos oitenta.
Dever cumprido. Descemos e Saleh parou para comprar uma foto que tiramos quando entramos. Enquanto isso, atendi ao telefonema de Shiho e Adidja sumiu. Sumiu? Eh... Ela nao tinha o mapa da cidade, nao prestou atencao no caminho que fizemos, nao tinha celular, estava cansada e chocada com a cidade. A preocupacao veio e, apos 3 horas de espera, fomos para em uma delegacia que havia atras do nosso Hostel. Meio bizarro, nao? Porem, mais bizarro ainda foi o policial largado na cadeira dizendo que nos nao podiamos registrar queixa - nem apos 24 horas - porque nao tinhamos parentesco com a moca sumida... Um amigo de Shiho, que mora em NY, ligou para 4 hospitais para saber se "uma mulher de 26 anos, chamada Adidja Amanes, de Camaroes nao havia dado entrada...". Em meio a angustia dos pensamentos estranhos que sempre aparecem nessas situacoes, fomos na iluminada e movimentada "Time square". Voltamos para o Hostel, em silencio. Todas as frases que conseguiamos falar eram conjecturas sobre o que Adidja poderia estar passando para nos encontrar. Ela conseguiu voltar para o Hostel depois de 7 horas. Visivelmente casada, ela nos perguntou para onde tinhamos ido e nos disse que ela soh lembrava o nome do Hostel, mas que ninguem "nunca tinha visto, nem ouvido falar..." ateh que um taxista, finalmente, trouxe-a de volta. Meio desconcertada frente ao nosso "desespero" ela disse que era "uma mulher feita, de 26 anos, com dinheiro, passaporte e que falava a lingua local"... Olhei para Shiho e sorri: Adidja podia dizer o que quisesse depois do susto de estar rodando em NY sem conseguir contactar os celulares de Shiho e Saleh... Ufa! Final feliz para o primeiro dia em NY!
Dia dois, 10/08/08. Adidja acordou tarde e os nossos planos de ir cedo para visitar a Estatua da Liberdade e. depois, o MOMA se tranformaram em um almoco com o amigo de Shiho e uma tentativa frustrada de ver a tal da estatua - pois Adidja queria muito e nos iriamos fazer qualquer coisa que ela quisesse! Resultado: tempo nublado, com possibilidades de chuva e ingressos esgotados (o ultimo ferry saia aas 16 horas e jah eram 15 e alguma coisa quando entramos na fila, que deveria durar por volta de uma hora). Tiramos uma fotos nas quais os acostumados com brincadeiras do tipo "Onde estah Wally?" poderao ver a estatua!
Mas, como estavamos buscando curtir o passeio - aconteca o que acontecer - demos continuidade aos nossos planos. A visita ao MOMA foi cancelada. Passamos no "Ground zero", onde ficavam as torres gemeas; a sensacao, para mim, foi angustiante. Quando vi os enoooormes edificios em volta do lugar em que as, entao maiores, torres do World Trade Center ficavam senti um noh na garganta e soh me ocorreu fazer uma oracao pelos que passaram por aquela agonia do Onze de setembro...
Enfim, seguimos para o Central Park. Motivo: ver o show de Maria Rita ("de gratis") no Brazilian Festival. Os meu colegas adoraram o show. O amigo de Shiho que ligou para os hospitais, Dave (do Panama, morando ha mais de 20 anos nos EUA, com 8 idas a Salvador no curriculo, bom portugues e namorando uma japonesa, amiga Shiho), tambem estava lah e conhecia varias musicas. Ainda bem que tudo terminou em "Samba meu"!
Nao falei que o metro de NY eh grande e confuso... Pois eh... Na nossa viagem de metro de volta para pegar aquele onibus chines do comeco dessa historia, perdemos Adidja mais uma vez! Shiho se confundiu e fez com que Saleh e eu descecemos na estacao errada. Quando Adidja foi nos seguir, exclamando que nao era para descermos ali, a porta do vagao fechou. Caimos na gargalhada, pois a perdemos outra vez e eu estava com o mapa que haviamos dado a ela... Como ela estava comigo e com Saleh quando se perdeu no Empire state, dissemos que Shiho tambem queria dar a parcela de contribuicao na empreitada de deixar a africana perdida. Encontramo-la na estacao certa, sentada no banco, com a mochila no colo e uma expressao de quem estava pensando: "de novo comigo... Por que, hein?!" Rimos muito e, finalmente, pegamos o onibus de volta para Boston.
Shiho nos disse que tem um ditado japones, que diz mais ou menos assim: "Se terminou bem, entao foi tudo bem!".


