Descobri a pólvora!!! Tá bom, tá bom... não foi a pólvora, mas é quase isso para mim. Descobri como configurar o teclado para colocar os acentos!!!! Se nada acontecer, se o laptop não ficar doido de vez (ou eu mesma), acabam aqui os meus dias de sofrimento pela falta de um simples acento agudo e companheiros. Posso contar se acontecerá alguma coisa ou relatar que algo acontecera sem ficar me remoendo por dentro pela falta de diferenciação entre os tempos verbais. E tudo por causa de um simples acento.
Essa “boba”descoberta me permite agora falar sem medo do livro do Luís Fernando Veríssimo que acabei de ler (em 2 dias!): Traçando o Japão. Qual não foi a minha felicidade ao descobri que a biblioteca da UNC tem vários títulos dele. Comecei por esse, do qual nunca havia escutado falar. O livro é delicadamente ilustrado com traços belíssimos de Joaquim da Fonseca. E Veríssmo... Ah, Veríssmo...
Ele representa meu senso de desorientação (sendo que eu sempre pergunto): "Gosto de me orientar sozinho e, ao contrário de Lúcia, considero uma derrota ter que pedir direções. Nas vezes em que precisei pedir foi porque os mapas me traíram ou o sol e as estrelas não estavam onde deviam estar." (p. 30) Gente, é exatamente isso que acontece comigo, as coisas mudam de lugar, não sou eu quem me perco...
E como eu faria no Japão sem saber falar a língua? Ele nos conforta: "Quando não estava com Yuriko [a guia] resolvemos nossos problemas de comunicação com a linguagem internacional do dedo apontado." (p. 39) Hehehe.
Reflexões sobre a raça humana: "Em Hiroshima estamos no monumento definitivo à capacidade do homem de aterrorizar sua própria espécie. Você tem duas alternativas, sentir vergonha ou tentar se convecer que o tempo de alguma forma transformou a civilização que perpetuou aquilo, o que é uma maneira de dizer que você não tem nada a ver com o acontecido. Foi há muitos anos, talvez tenha sido outra espécie." (p. 53)
Em uma estalagem típica japonesa (ryokan), ele e a esposa seguem os rituais, coitado...: "Primeira providência: vestir quimonos. (...) Segunda providência óbvia: nos fotografarmos vestindo os quimonos, para mostrar em casa. Já destruí as minhas fotografias de quimono para evitar a chantagem." (p. 58)
O que é "wassabi"? Ele descreveu como eu nunca conseguiria, mas exatamente como eu senti: "'Sashimi', que é qualquer coisa do mar servida crua, e 'sushi', ambos acompanhados de "wassabi", uma raiz picante que ralada produz uma espécie de mostarda verde que não só condimenta a comida como desobstrui o nariz, cura a sinusite e faz estalar os tímpanos." (p. 92)
A última parte do livro é escrita pelo desenhista. Bem, confesso que senti-me muito ignorante na maior parte do tempo. Há que se entender um pouco sobre "xilogravuras" e ser real entendedor de "mangás" para viajar com ele; algum voluntário? Recomendo o livro!
Meu semestre acabou, daí o pequeno luxo de devotar-me à leitura somente por prazer. É bem verdade que alegria de pobre dura pouco, mas não tenho do que me queixar: nada de aulas até agosto, mas muito o que produzir no summer. E, claro, umas viagens para não passar em branco. Próximo capítulo: Boston, o retorno.
